Post 01/mai - Líderes se servem por último

hp_20140320_LideresSaoOsUltimosAserviremSe.jpg

Líderes se servem por último 

 

Acabei de ler o livro “Leaders Eat Last”, ou “Líderes Comem por Último” de Simon Sinek, que também aborda o tema dolíder servidor como em “O Monge e o Executivo” de James C. Hunter, porém, Simon faz uma abordagem diferente e interessante e explora temas como, a origem da hierarquia, seu papel na nossa sociedade e como se tornar um líder realmente admirado que una a capacidade de servir e desenvolver competências. Vamos juntos refletir, sobre liderança e como criar um ambiente realmente bom para se trabalhar.

 

Seu perfil comportamental e seus hormônios favorecem que você lidere ou você prefere ser liderado? Segundo Simon, nossa biologia evoluiu ao longo de milhares de anos para nos ajudar a sobreviver e nossos hormônios controlam nossas emoções e nosso comportamento. São 4 hormônios principais que você precisa entender:

  • Endorfina: O hormônio que mascara a dor;
  • Dopamina: O hormônio que nos ajudar a realizar coisas;
  • Serotonina: O hormônio da liderança;
  • Oxitocina: O hormônio do amor;

 

Simon chama os dois primeiros (endorfina e dopamina) de hormônios egoístas e os dois últimos (serotonina e oxitocina) de hormônios altruístas. Um exemplo interessante citado por Simon é a dopamina. Ela nos recompensa com uma intensa felicidade toda vez que completamos uma tarefa. Você fica feliz quando completa uma corrida? Sim, é a dopamina fazendo efeito. Outros hormônios, como a serotonina e a oxitocina, afetam nossas vidas sociais, ajudando-nos a nos relacionar com os outros. Já as endorfinas disfarçam a exaustão e a dor física e conseguem nos enganar mentalmente para que consigamos ir mais longe, mesmo após grandes esforços físicos.

 

Endorfina e Dopamina. Se você entendeu os papéis dos hormônios, entendeu que estes são os que trazem progressos e nos ajudam a realizar coisas. Fantástico, não? Nem sempre. O problema é que, muitas vezes, líderes passam a operar em métodos de comando baseados, na centralização, na falta de delegação e por consequência, no medo, modelos bem inadequados de gestão. O estilo centralizador comprovadamente pode até funcionar no curto prazo, mas com certeza trará resultados ruins para a equipe, mas libera a dopamina no corpo do "líder centralizador". Isso faz com que ele se sinta bem de qualquer forma. Para piorar, estes hormônios são altamente viciantes.

 

Serotonina e Oxitocina. Estes são os que nos ajudam a sentir confiança e fazer parte de uma equipe. Eles ajudam a equipe a trabalhar sinergicamente e com empatia. Esses benefícios precisam ser usados na proximidade com nossos liderados. Você não vai conseguir tê-los se escondendo atrás de um computador ou de planilhas. Você precisa estar lá e fazer parte, sempre próximo das pessoas. Para colocar estes hormônios para trabalhar, você precisa motivar e estar presente o tempo todo.

Empatia, a chave da liderança. Para liderar efetivamente, é essencial que você seja capaz de se importar de forma genuína, com seus liderados e querer que eles estejam se desenvolvendo. Você tem que ter um senso de responsabilidade em relação a eles. Nosso sentimento de responsabilidade vem da empatia, da nossa capacidade de nos colocar no lugar de outra pessoa. Sem empatia, nos distanciamos dos nossos liderados e podemos tomar decisões que os prejudicam, especialmente se tornamos nosso relacionamento mais abstrato e distante. Quanto mais distantes estamos dos nossos liderados, mais somos propensos a desumanizar as pessoas e vê-las como engrenagens de uma máquina. Trate seus funcionários com respeito e dignidade e você verá resultados em cada dimensão da sua vida e do seu negócio.

 

Desenvolvimento no ambiente de trabalho. As pessoas precisam de autonomia, aprendizado e crescimento no trabalho. O ambiente de trabalho é tudo. Se ele encoraja o aprendizado e empodera as pessoas, elas ficam nos seus empregos não para sobreviver, mas sim para prosperar.

 

Crie laços. Para liderar, é preciso desenvolver uma relação de confiança com as pessoas, por isso é essencial desenvolver sua integridade. As pessoas precisam ter a certeza de que você leva em conta seus objetivos e capacidades, antes de tomar uma decisão. Sabemos que líderes são seres humanos e não esperamos a perfeição, mas honestidade intelectual (coerência entre discurso e prática) e assumir responsabilidade pelos seus erros, são essenciais.

 

Coma por último, sempre! Um líder deve criar uma visão de futuro inspiradora, para convencer a equipe a segui-la. Embora cada membro da equipe tenha objetivos individuais, é fundamental se unir em torno de um propósito coeso. Alinhado a isso, o líder deve colocar o desenvolvimento das pessoas como sua prioridade zero. Muitos pensam que um líder existe para ser servido, mas a grande verdade é que, para liderar, é preciso servir as pessoas, ajudá-las a atingir seus objetivos, superar seus desafios e se desenvolverem. Numa caminhada, é preciso que líderes sejam os últimos da fila, para garantir que cada seguidor, chegue ao destino final protegido e recompensado.

 

                                                                                                                                                                      

Ricardo Saldanha, CEO e principal sócio da Target Ouplacement, é Engenheiro (UERJ) com Mestrado em Recursos Humanos (PUC-RJ), MBA em Gestão Empresarial (FDC), Extensão em Strategic Leadership (Escuela Ejecutiva de Madrid). Atuou como Diretor Executivo de Recursos Humanos e Diretor Executivo de Negócios como; Aquisição de Clientes, Folha de Pagamento e Credito Consignado em Empresas como Santander, Itaú Unibanco, TV Globo e Aracruz Celulose. Saldanha foi Vice-Presidente de Relações Institucionais da ABRH-Nacional, Palestrante da Câmera Espanhola de Comércio e Membro do Comitê de Gestão de Pessoas da AMCHAM-SP.