Post 01/mar - Você está preparado para lidar com a geração Z?

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Você está preparado para lidar com a geração Z? 


Inovadores e independentes, os jovens que estão chegando ao mercado de trabalho causarão transformações nos

negócios. Eles não conheceram o mundo sem internet. Os jovens nascidos após 1995 são pertencentes à geração Z, e estão começando a entrar no mercado de trabalho agora.


Suas peculiaridades vão impactar as organizações e os atuais gestores, em pouco tempo, teremos que nos adaptar às exigências desses novos profissionais. Se você imaginava que esses jovens estavam interessados apenas em passar o dia fazendo vídeos no Snapchat ou jogando algo no celular, saiba que os nativos digitais são os futuros trabalhadores que vão trazer inovação e questionamentos para o mercado de trabalho em termos de novas práticas, de gestão e de estratégia de recursos humanos.


Eles têm a força de 60 milhões de membros no Brasil, superando em 1 milhão de pessoas os millennials, também conhecidos como geração Y, mas as mudanças vão acontecer mais fortemente no início da próxima década, pois 77% deles ainda estão em período de estudo.


O desafio para as empresas, e os gestores, que atualmente estão focadas em garantir a entrega no prazo, o bom resultado, o ritmo acelerado em função da crise, terão o desafio de compreender as novidades dessa nova classe trabalhadora. Eles chegam para valorizar uma carreira diversificada, forçar mais ainda a importância de saber lidar com diferenças, de estilos e pensamentos, instaurar um ambiente saudável de trabalho e requisitar seus direitos. As empresas que saírem na frente no entendimento dessas necessidades da geração Z no mercado de trabalho são as que vão ser beneficiadas nos próximos anos com a capacidade de atrair os melhores talentos.


As empresas e os gestores não podem deixar de valorizar o lado humano, o feedback mais estruturado e um maior tempo para o team building. Hoje a velocidade tecnológica tem influenciado diretamente o comportamento, mas à medida que a informação e o acesso se propagam, nos fechamos cada vez mais em nossas telas. Relações interpessoais tornam-se distantes, frias, como se um abraço valesse menos que uma curtida em redes sociais.


A CARA DE UMA GERAÇÃO


A turma Z já nasceu na era dos celulares que rapidamente evoluíram para os smartphones. Eles convivem sem

dificuldades com o excesso de tecnologia e de informações extraídas de diversas fontes ao mesmo tempo, e

aproveitam apenas o que julgam realmente interessante, embora geralmente demonstrem mais superficialidade nos temas, no entanto seu estilo seja acompanhado de uma grande diversidade de assuntos. Pela primeira vez, pessoas naturalmente multitarefas estão atrás de novidades pelo youtube, pelo smartphone, pelos blogs, pela música e pelas redes sociais ao mesmo tempo. O termo Z, inclusive, vem de “zapear”, o hábito de ficar mudando de um canal para o outro na TV sem se aprofundar em assunto nenhum.


Outra característica muito importante dessa geração é a coragem para experimentar o novo, o risco, e a falta de fronteiras geográficas do mundo. Para eles, que já nasceram em meio à globalização, o ato de “largar tudo” para viajar o mundo é totalmente compreensível e desejado, assim como aceitar um novo desafio mais atraente e que valorize a independência e a inovação. A atitude traz um grande desafio para a retenção de talentos nas empresas e para os gestores, que serão desafiados a dar mais feedback, aprender a relacionar os motivadores de cada um com as oportunidades de carreiras, criar desafios relâmpagos, envolve-los mais do que fazemos hoje, etc....


Seus relacionamentos são tratados com igualdade e não com maturidade. A composição de uma nova família, com padrastos e madrastas de papel indefinido na criação desses jovens, gera muito mais liberdade e aceitação do outro. Isso quer dizer que, no ambiente profissional, eles podem bater de frente com lideranças da geração anteriores, mais conservadores, mais regrados, principalmente com a X, pois é a mesma de seus pais, de valores muito divergentes.


Existem uma veia empreendedora muito pulsante nessa geração, mas nada de atingir o sucesso profissional e ser

reconhecido no mercado antes de lançar seu primeiro próprio micro negócio.

Praticamente metade desses jovens pretende iniciar uma startup, uma loja, um blog ou outro tipo de empreendimento, alinhado a seus valores pessoais.


OS “Zs” TRARÃO MUDANÇAS


Não é de hoje que as empresas têm se mostrado um pouco mais flexíveis em relação às demandas dos profissionais. Elas já não veem mais com olhar tão negativo os candidatos que têm breves passagens por vários empregos, que precisam entrar mais tarde ou sair mais cedo para resolver compromissos pessoais ou que trabalham com autonomia perante o gestor. E a tendência é que mais mudança venha por aí.


A partir da entrada da geração Z no mercado de trabalho, as organizações ficarão cada vez mais tecnológicas, pois a maioria desses futuros profissionais acredita que é impossível trabalhar sem smartphone, troca de mensagens e redes sociais. O home office deve se tornar uma política cada vez mais aceitável, já que o trabalho remoto é eficaz para eles.


Outras regalias que a geração Y possui são totalmente dispensáveis para esses jovens. Ao invés de happy hour

liberado no escritório, eles preferem uma política de variável agressiva, o acesso a plano de saúde e licença parental, já que muitos deles estão sofrendo agora os impactos da crise no Brasil e percebendo o desemprego e a insegurança de seus pais. Suas exigências em termos de benefícios são similares a de seus pais, mas sua disposição é maior: eles trabalharão aos finais de semana e durante a noite em busca de salários maiores e, por esse motivo, irão ganhar mais do que as gerações anteriores em um curto período de tempo.


AS EMPRESAS TEM EXPECTATIVAS


Criatividade e inovação são as principais apostas das empresas. Ao contratar profissionais antenados, o mercado de trabalho pretende contar com essas características para se desenvolver. A inauguração de um novo processo, a apresentação diferenciada de um relatório e a mudança de uma embalagem podem causar muito mais impacto do que esses jovens imaginam, beneficiando principalmente os negócios mais tradicionais que nem sempre estão no ritmo das transformações. As empresas analógicas que acham que com um app são digitais, vão perceber rapidamente que seu modelo mental é analógico e precisarão mudar.

O entrosamento com os líderes é fundamental, já que os jovens trabalharão de forma independente durante a maior parte do tempo. Por isso, o conflito de gerações entre os “Zs” com o “Xs” e com os “baby boomers” poderá ser benéfico para agregar as prioridades de todas as gerações a um trabalho exemplar do início ao fim. Acostumados a resolver as pendências pelos meios tecnológicos, os jovens terão que melhorar suas relações também ao vivo, pois a tendência é a da comunicação pessoal, e isto eles terão que desenvolver.


Para manter um bom profissional na casa, as organizações e gestores vão esperar comprometimento, mas terão que se esmerar para oferecer novas oportunidades a um ritmo maior. A hierarquia não quer dizer muito para esses jovens pós-1995, mas um aumento de salário e a possibilidade de enfrentar novos desafios em curto período ou fora do país os estimulam e farão a diferença para que permaneçam em locais dinâmicos, colaborativos, com políticas inovadoras de RH, onde recebam feedback constantemente e sejam ouvidos e desafiados.


Ricardo Saldanha, CEO e principal sócio da Target Outplacement, (www.targetoutplacement.com.br) especializada em Transição de Carreira e Recolocação Profissional e principal sócio da Saldanha Consulting, especializada em planejamento estratégico de RH é Engenheiro (UERJ) com Mestrado em Recursos Humanos (PUC-RJ), MBA em Gestão Empresarial (FDC), Extensão em Strategic Leadership (Escuela Ejecutiva de Madrid). Atuou como Diretor Executivo de Recursos Humanos e Diretor Executivo de em Empresas como Santander, Itaú Unibanco, TV Globo e Aracruz Celulose. Saldanha Certificado pela TTI Success Insights em DISC Theory & Motivators, foi Vice-Presidente de Relações Institucionais da ABRH-Nacional, Palestrante da Câmera Espanhola de Comércio, Membro do Comitê Consultivo da Escola de Integração e Negócios e Membro do Comitê de Gestão de Pessoas da AMCHAM.